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“Todo lugar onde Deus nos coloca, pode se tornar um campo missionário”, diz pastor

O pastor e missionário Oseias Luiz Ferreira afirmou que as ondas migratórias são oportunidades para espalhar o Evangelho no mundo, durante ...

“Todo lugar onde Deus nos coloca, pode se tornar um campo missionário”, diz pastor
“Todo lugar onde Deus nos coloca, pode se tornar um campo missionário”, diz pastor (Foto: Reprodução)

O pastor e missionário Oseias Luiz Ferreira afirmou que as ondas migratórias são oportunidades para espalhar o Evangelho no mundo, durante a conferência Missão Reversa 2026, na Itália, no último final de semana.

O evento reuniu pastores e missionários para discutir o fenômeno “Missão Reversa”, uma das maiores transições espirituais da história do cristianismo.

Durante décadas, países da Europa e dos Estados Unidos enviaram missionários para diferentes partes do mundo. Agora, cristãos de regiões que receberam esses missionários estão fazendo o caminho de volta para anunciar o Evangelho aos europeus e norte-americanos.

“Milhões de pessoas deixam todos os anos os seus países, em busca de uma vida melhor. Deus não olha para os movimentos humanos apenas como fenômenos econômicos, políticos e sociais. A migração é um processo movido pela mão de Deus e pode mudar a história de uma nação” , iniciou o pastor Oseias, líder da Igreja Batista Missionária em Luxemburgo.

Baseado no relato bíblico de Atos 11 – onde os primeiros cristãos são espalhados pelo mundo devido à perseguição e passam a pregar aos gentios em várias regiões – Oseias ministrou sobre os princípios para cumprir a Missão Reversa com eficácia.

“Aquilo que parecia ser apenas uma consequência dolorosa da perseguição, se tornou uma oportunidade para o Evangelho ser pregado. Aqueles homens eram pessoas que tinham atravessado as fronteiras, e Deus estava utilizando aquela situação para alcançar pessoas de outras culturas. Isso nos ensina que Deus pode transformar uma experiência de deslocamento em uma oportunidade para a missão”, afirmou.

(Foto: Reprodução)
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O missionário Oseias Luiz Ferreira na conferência Missão Reversa. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa).

Oportunidade criada por Deus

Segundo o missionário, a história da missão mundial também mostra que “a dispersão é uma oportunidade que Deus cria para pregar o Evangelho”.

“Ao longo da história, homens e mulheres deixaram o continente europeu e americano para pregar a Palavra de Deus. O Evangelho chegou na Ásia, chegou na América do Norte, na América do Sul. Muitas pessoas entregaram tudo que tinham para que a Palavra de Deus chegasse até nós. 

“Muitos de nós aqui somos frutos desta história. Como igreja na Europa, nós somos devedores aos europeus que foram para o Brasil e outros continentes pregar. Como igreja na América, nós somos devedores aos nossos irmãos americanos que atravessaram o continente para se estabelecer em outras nações”.

E acrescentou: “Hoje, a Europa e a América, que foram plataformas de lançamento de muitos missionários, hoje estão recebendo a evangelização dos filhos que eles enviaram”.

Oseias, que também é ex-jogador de futebol, questionou o que a geração atual fará com o Evangelho que um dia foi entregue por alguém que atravessou as fronteiras.

“Você recebeu o Evangelho. Ele começou na cruz de Cristo, percorreu o Oriente Médio, a África, chegou na Europa e se expandiu pelo mundo. E nós recebemos este Evangelho”, disse.

Resposta de gratidão

Para o líder, a Missão Reversa é “a resposta de gratidão de quem recebeu o Evangelho e agora atravessa fronteiras para levar Cristo aos outros povos”.

“Nós fomos alcançados, agora queremos alcançar. Nós recebemos, agora queremos compartilhar. Nós fomos servidos, agora queremos servir. Nós recebemos o Evangelho, agora queremos levar”, declarou.

O primeiro princípio ensinado pelo pastor para cumprir a Missão Reversa com eficácia é: quebrar os paradigmas missionários.

(Foto: Reprodução)
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O missionário Oseias Luiz Ferreira na conferência Missão Reversa. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa).

Oseias lembrou que Atos 11 mostra que os primeiros cristãos estavam pregando somente aos judeus, por causa das barreiras culturais e religiosas. Porém, alguns crentes de Chipre e de Cirene quebraram o paradigma da época e anunciaram Jesus aos gentios.

“O Evangelho é para todos. Nós devemos alcançar todos os povos e quebrar as barreiras que impedem a mensagem de chegar às pessoas. Uma igreja envolvida na Missão Reversa precisa recusar o comodismo das bolhas imigrantes”, comentou.

“É preciso ter coragem para anunciar Jesus, não apenas aos nossos compatriotas, mas aos nativos e aos povos de todas as origens”, exortou ele.

Cristãos imigrantes

O segundo princípio ensinado por Oseias para uma Missão Reversa eficaz é ser intencional onde Deus o colocou.

“Morar em outro país não nos transforma automaticamente em alguém que é um missionário. Nem toda imigração é missionária, mas toda imigração pode se tornar uma oportunidade. Nós precisamos sair da atitude passiva para a ação intencional”, destacou.

“A pergunta não é apenas: Onde Deus me colocou? A pergunta é: o que Deus quer fazer através de mim, aonde ele me colocou? A missão não começa quando encontramos um púlpito ou uma plataforma. Começa quando percebemos que cada lugar onde Deus nos colocou, pode se tornar um campo missionário. Para fazer missões, não é necessário um púlpito, mas um coração obediente à voz de Deus”, assegurou o pastor.

Cristo no centro da mensagem

Conforme Oseias, para cumprir a Missão Reversa também é necessário manter Cristo no centro da mensagem e depender totalmente do Espírito Santo.

“A nossa mensagem não pode ser: ‘Volte para a religião’. ‘Volte para Cristo, conheça Jesus e se relacione com Ele’ precisa ser a nossa mensagem. A igreja pode ter diferentes estilos e culturas, mas existe algo que não pode mudar: Cristo ser o centro da nossa mensagem. A missão reversa não leva uma cultura para outra cultura. A missão reversa leva Cristo de coração para coração”, ponderou.

“Nós precisamos continuar pregando que Cristo salva, transforma e que Cristo voltará para buscar a sua Igreja”.

O texto de Atos 11 afirma que a mão do Senhor estava com os crentes de Chipre e de Cirene e, por isso, tiveram sucesso em sua missão.

“Eles anunciaram Cristo, mas dependendo do poder do Espírito Santo. Eles falaram, mas a mão do Senhor estava com eles. Eles anunciaram, mas Deus agiu. Eles atravessaram fronteiras, mas Deus abriu os corações. Eles fizeram a parte deles, mas o resultado final pertenceu ao Senhor”, enfatizou.

E concluiu: “Sem a mão de Deus, temos apenas estratégias humanas. Com a mão de Deus, pessoas simples podem ser instrumentos de transformação em grandes cidades. Antes de pedir que Deus transforme uma cidade, precisamos pedir que Ele transforme o nosso coração”.